Vereador propõe gás contra cachorros
É o que propõe um projeto de lei protocolado anteontem na Câmara Municipal pelo vereador Agnaldo Timóteo (PR). Proprietários de cachorros e defensores de animais acreditam que o texto, que ainda nem começou a ser discutido pelos vereadores, não deve ser aprovado.
Timóteo alega que o objetivo do projeto é evitar que cães de guarda ataquem pessoas ou outros animais. “Esse tipo de cachorro quando agarra não solta. Não adianta bater, jogar água fria, nada. Então, tendo a arma paralisante, acabou. Em alguns segundos você pode evitar uma tragédia”, afirma o vereador, que diz ter presenciado, dois meses atrás, uma cena “pavorosa” de uma criança sendo mordida por um cachorro.
Angela Caruso, do Fórum de Proteção Animal, diz que o projeto é “absurdo” e prega maus-tratos aos animais. Para ela, faltou ao parlamentar informação sobre a legislação que regulamenta a venda desses produtos e a discussão com os grupos de proteção.
“A questão da proteção animal tem tantas coisas urgentes para serem discutidas e perdemos tempo com esse tipo de coisa sem sentido”, diz Angela. Ela diz ter certeza de que o projeto não será aprovado na Câmara Municipal.
Além da polêmica envolvendo os maus-tratos a animais, o projeto de lei enfrenta problemas legais. Atualmente, a venda de arma paralisante, gás paralisante e gás de pimenta é restrita e controlada, segundo o Ministério da Justiça. É preciso autorização para comprar esses artefatos.
Quem passeava ontem à tarde com seus cachorros no Parque do Ibirapuera, na zona sul, também criticou a proposta. “Dar choque em cachorro, jogar gás? Quem precisa disso é o dono que não cuida direito do seu cachorro ou não o ensina”, opina a aposentada Ciza Gebara Ramos, de 56 anos, acompanhada da cadela Suri.
“Sou totalmente contra essa medida. Quem faz o cachorro atacar ou ser dócil é o dono”, diz o estudante Rodolfo Thur, de 18, que quando sai para passear com a rottweiler Nina coloca a focinheira nela.
Adestradora de cães durante 15 anos, a ambientalista Carolina Lafemina acredita que a prioridade deveria ser educar as pessoas. “Temos muito para avançar na posse responsável dos animais antes de falar em choque.”
Por Marici Capitelli e Tiago Dantas
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